Viagem Brasília – Santa Catarina abortada após os primeiros 200km.

20 Dez 2010, Por Belvedere Goose em Dia a dia, Moto. Tagged , ,

Viagem Brasília – Santa Catarina abortada após os primeiros 200km.


Apesar do planejamento cuidadoso uma viagem de moto está sujeita a mudanças de planos – a noção de responsabilidade fala muito alto quando estamos sobre duas rodas.

Com previsão de chuva por todo o trajeto e notícias de tempestades com ventos fortes em várias cidades do caminho, a decisão de abortar a viagem se mostrou a mais sensata. Essa viagem ficará para o inverno – com mais frio porém quase nenhuma chuva.

Mesmo adiada a viagem, o primeiro trecho (200km Brasília-Goiânia) já rendeu lições:

Chuva
Ou seria tempestade? Enfrentei uma chuva com muito vento e pingos que pareciam pedras colidindo com o capacete. Visibilidade baixa e todos os carros trafegando com o pisca ligado e baixa velocidade.

Quem viaja de moto precisa fazer um exercício psicológico antes de pegar a estrada. Ter consciência de que poderá enfrentar o desconforto de uma chuva ajuda a manter controle sobre a situação – é preciso estar preparado e saber quais são as possíveis dificuldades e perigos para poder se defender deles.

Como a tempestade começou em um lugar onde não havia como parar e esperar (a melhor opção), segui em frente rumo a um grande exercício mental. Controlando o balanço do corpo para me defender dos ventos fortes; observando os carros a frente para conseguir deduzir para que lado seria a próxima curva; inspirando de forma rápida e expirando vagarosamente para controlar o embaçamento da viseira… foram quinze minutos de muita água. Mas podem ter sido cinco. A verdade é que para mim, naquela situação, pareceu meia-hora.

Acidente de carro em Alexânia e voo com a moto
Chegando no perímetro urbano de Alexânia, passado o primeiro quebra-molas, observei um acidente do outro lado da pista – sentido oposto. Milésimos de segundo depois minha atenção já estava na minha pista e… um outro quebra-molas há menos 10 metros de mim – eu estava a 60 ou 70 km/h e freiar seria garantia de acidente. Firmei os pés sobre os comandos da moto (não uso comandos avançados), levantei do banco e me preparei para o voo. O quebra-molas era muito alto e me arremessou para um longo voo. Pousei com a roda da frente depois de alguns metros. Apenas quando a roda traseira tocou o chão tive condições de tocar no freio com alguma segurança. Reduzi um pouco a velocidade, respirei fundo e segui em frente.

Rendimento da moto
Piloto uma Harley-Davidson Iron 883. Ela não fez mais que 16km/L.

Outro acidente de carro
No final de uma curva no sentido oposto (pista duplicada), tinham muitos cones e, mais a frente, um carro capotado de uma forma tão inusitada que seria preciso uma tese de mestrado para explicar como o motorista conseguiu deixar o carro naquela posição, naquele local. Não parecia grave.

Um acidente de moto
A estrada Brasília-Goiânia está 100% duplicada e possui curvas que são um convite para pilotos de motos esporte (motos esporte são desenhadas para correr, por isso piloto uma custom). Em um determinado trecho, no sentido oposto, observei uma Ninja e um carro da Polícia Rodoviária parado. Mais a frente me informaram que na vala que separa as duas pistas tinha uma outra Ninja – isso, lá embaixo. Espero que não tenha acontecido nada grave com o piloto.


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